É FÁCIL PRENDER CIÇÃO VALE, POR RUBENS LEMOS FILHO

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Doeu a prisão do criador de gado Cição Vale em Caicó. Foi como se o punhal da Ditadura voltasse, sinistro, cortando, enferrujado o peito e trazendo o passado e as dores lancinantes de injustiça. Coitado do homem berrando como um aboiador sem tema nem poesia no lamento, só angústia de seca.
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Detido por um protesto que não violou a segurança de qualquer cidadão, não machucou ninguém, não agrediu a integridade física de nenhum passante ou patrimônio público. O agricultor estava com uma carcaça de gado que ele criou, alimentou, viu morrer, apodrecer e virar ossada sem que ninguém fosse lhe dar solidariedade ou socorro.
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Sua prisão ou detenção, segundo os dados precisos da autoridade constituída que o conteve sem necessidade na porta de uma repartição federal cujo custeio é pago por ele, por mim e por você, lhe fez humilhado de novo, na frente do Rio Grande do Norte inteiro, como se expor um grito de socorro fosse pecado.
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A seca de 2013 é a pior de todos os tempos não apenas pelo cenário dantesco do chão rachado, do açude barrento, do menino chorando com fome, do pai agoniado, da mãe silente de vergonha, é a pior seca pelo descaso. As bolsas e esmolas oficiais parecem analgésicos para o homem do campo.
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Terrível a cena de Cição, seridoense, sendo agarrado como se bandido fosse, bandido perigoso, daqueles que matam, estupram e sequestram todos os dias e saem impunes, rindo da cara de quem deveria prendê-los e criando a cada dia novos órfãos pelo Rio Grande do Norte afora.
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O Estado inteiro deve desculpas ao homem que queria atenção, queria ajuda, clamava um gesto de clemência dos cristãos de procissões e missas, pela morte do gado que cria e pela falta de crédito que o asfixia e aos seus filhos.

Fonte: rubenslemos.portalnoar.com via O Messiense


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